Causos de um ursinho

Thursday, February 16, 2006

“Onde anda a onda”

Sol pai de dia, mãe Lua de noite. Calor de dia, frio de noite. A gente viu que as coisas não eram tão constantes assim. E foi um momento de esperança!
“Ah, Caicó
Arcaico,
em meu peito catolaico
tudo é descrença e fé

Ah, Caicó
Arcaico,
Meu cashcouer mallarmaico
Tudo rejeita e quer

É com é sem
Milhão e vintém,
Tudo mundo e ninguém,
Pé de xique-xique,
Pé de flor
Relabucho velório,
Vídeo-game oratório,
High-cult simplório
Amor sem fim desamor”

Era a Jenninha cantando pra mim... Quase melhor... Nunca me esqueci da sua voz revoltando ondas por aquele power-monstruoso deserto... Era tão lindo, tão... tão... fundo na alma... tão sereia no mais fundo do mar, onde não dá pé e a Jenninha não deixa o Gursinho chegar (porque só sei nadar cachorrinho e mal porque sou ursinho)... que quase as ondas do mar vieram ouvir esquecendo os limites de Geografia: aquela coisa de não poder ficar acordado depois das dez...
Musicar é “entrar em acordo profundo e não visível com a intimidade da matéria”... É encontrar a ordem no meio dos ruídos... É estabelecer uma paz, um conto-de-fadas feliz! E nos desertos têm ruídos. Na solidão também tem ruídos. O nosso corpinho pulsa e bem de noitinha no silêncio eu sempre ouvia o sangue da Jenninha passeando pelo corpo, o coração ritmando...
Mas as nuvenzinhas emocionadas no céu deixaram escorrer mel e choveu... Era uma bênção! O doce no sal das areias, no sal da aguinha-éca, no sal da vida. Era dia na infinda noite. Era o pai, o pai que minha Jenninha disse ter perdido bastante nova, que nem da minha idade, pois é pois é pois é... Ele era um médico cheio de brilho e de bondade, era médico e morreu pra sarar uma vida, pegou uma infecção e, logo depois de entregar a alma pro corpo já sem dodói do paciente, ele encantou, virou estrelinha. Aquela lá! Dava pra ver no céu daquele dia. Também tinha nome de Sol.
Não tardou tanto e veio a noite... Veio o frio... e a gente cheio molhado... E a gente viu que as coisas se repetiam a si sempre mesmo... Era Sol e Lua num dia e Sol e Lua no outro... E a gente despertava... Mas de um sonho bom... E tinha aprendido pelo menos que, se a carta do Yu-Gui-Oh! É sempre a mesma, ela tem 2 lados: um que é meio (inútil?), só tem escrito coisa que a gente (sabe?) e esconde.
e outro que é cheio de poder, que tem ataques e defesas mil...
2 lados?
"Pelo espelho"

Eu estava lá e fazia das areias, das estrelas, companhia. Mas ela, minha doce ela, não estava mais sozinha de pessoas, de coisas: estava sozinha de si? Era um abandono. Mas não este abandono, com palavras, era um esconde-esconde na Treva dos Dragões, malvado, quando a gente não consegue brincar.
E não com espanto ela estava molenga pra brincadeiras... O que era a vida depois de a gente perder o um amor-da-vida, e de perder sempre, sem ter tido pra sempre, de perder todos amiguinhos do teatro, que eram os amiguinhos, de perder o humano? Existe vida se a gente perder o espelho? E no deserto que a gente tava nem tinha espelho nem lojinha de 1,99 e nem outra lojinha... Era o sem-humano... E acho que a Jenninha também não fazia companhia das areias porque virava areia. Que qualquer vento bobo leva... Vai ver quem não é areia?

O Sol fervia de dia e a noite não esquecia de castigar à noite com seu frio. Era suar de derreter sorvetinho de limão gostoso na praia de dia e abraçar de mês sem se ver eu e a Jenninha pra dizer pro frio que ele era boboca e que a gente se vira! Como eu queria colar meus pelinhos na Jenninha, não ia dar pro cheiro, mas era fazer alguma coisa... Mas não tem jeito, quando a gente vai pro deserto é pra gente mesmo inventar pelos...

Friday, February 10, 2006

"Da resposta - continuação"

E a gente adejou, fez um gol, muito rock n`roll, eu rebolei... e... ela sentou... respirou... e num suspiro trouxe os elefantõezões pesando no olhar... e ainda deve ter trazido um quilo de quiabo pra temeperar a amargura...
Como minha Jenninha já não é tão gente grande, ela advinhou ligeira minha curiosidade e disse (quase cantando com aquela voz das fadas):
-Minha coisa gorda fofa, num olha assim... eu te conto... se o Roberto Carlos pode falar com planta porque que eu não posso falar com ursinhos? (Só não gostei do plural) Então, mas bem baixinho... pra ninguém ouvir... É o montro do Amor... Será que ursinhos lá sabem de amor?
-
-O homem da minha é meu professor de teatro! Uma ternura! Um encanto! Tem o céu nos olhos! Ai... E eu sou idiota! E disse que amava ele loucamente! Eu contei tudo! Ele, tão doce, sorriu... Um sorriso surpreso... Não disse nada... Me abraçou... Partiu... Na aula de ontem decidiu que ia abandonar as aulas de teatro... Eu sabia que a culpa era minha! Toda minha! Eu fodi um grupo inteiro de teatro, meu fofo... Um grupo inteiro! E me fodi à décima potência! Como vou encontrar ele de novo? Como vou me encontrar de novo sem ele, se me perdi nele... Se só ele tem o céu... Se eu me perdi no céu... Se é só no céu que tem anjos, nuvens de algodão, de algodão doce... Se é só no céu que a gente pode ser feliz...

Naquelas palavrinhas decoradas matematicamente eu senti as areiazinhas ferventes que minha Jenninha pisava no deserto... E elas doíam, eram ásperas... íngremes... Quando eu percebi, eu estava com ela... O Sol brilhava toda culpa que ela sentia... E queimava sua pele branquinha... Sol mais forte que no Rio... E eu e meus irmãozinhos viemos do Rio... Eu queria fazer sombra, mas era tão baixinho... Nem adiantava comer banana, não crescia...

-É sempre assim, Gursinho, dou um passo pra frente e dois pra trás! Soluçando.

Eu queria dizer que aprendi na TV (gosto muito de TV!) que o mundo é uma Roda Gigante. É gingante e é redondo! E gira que gira! Então, dois passos pra trás também devem ser pra frente! Qual é a diferença? E que o mundo era que nem os olhinhos dela! E que o Gursinho preferia o caramelo ao céu... Porque caramelo enche a barriguinha...
Eu não consegui dizer com palavras, óbvio, mas disse com os olhos. E a Jenninha até que entendeu, forçou um sorrisinho só pra me dizer que tinha entendido... Tão ultra-hiper-pluri-super-mega-power-tudo! E eu vi que o que a gente diz com os olhos a gente diz mais alto do que quando diz com palavras, mesmo se for berrando que nem o despertador... E vi que eu falo mais alto que o despertador! E encostei na felicidade. Mas era miragem.

Wednesday, February 08, 2006

"Da resposta"

Final de tarde e lá estava ela novamente no quarto! Ou não... Parecia trazer na mochila um casal de elefantes gordinhos... E parecia chegar de um deserto... E não é que estava lá...
Apesar do peso, do pesar, minha Jenninha sabia que era a gente brincar pra iludir o corpo e voar! E me deixou cantar sua musiquinha e de mais ninguém... E eram "os pés num céu de um parque" (Diguinho)... Era balé... (nova interrupçã-continuação em breve)

Tuesday, February 07, 2006

(... a continuação...)

Acordar era Super-Homem! Era a aceitação! Acordar é um ato de amor! É a singeleza coitidiana de aceitar a vida nas suas grosserias, nas suas monstruosidades inadmissíveis. E minha Jenninha não decepciona! Não se mete a heriozinho norte-americano, que não tem medo! Ela tem a coragem de ter coragem, bem como nosso latino-lindinho-Chapolin! Então ela dormia! Se dava o direito pelo menos de mais essa rebeldia!
...
E aquele treco barulhento começou a despertar pelo quarto como fosse comparável com minha musiquinha... Ai, meu Deus! Bom, as mãozinhas branquinhas, quase transparecendo a alma, rastejaram sofridamente até o botãozinho enviado pelos querubins pra desligar aquela barulheira... Pouco tempo e minha amiguinha estava na escola...
E eu, só... Meu peitinho eram duas interrogações (?)... uma virada de frente pra outra... como se perguntassem a solução pra irmã... Perguntavam porque tamanha tristeza pra tamanha gente linda, se existia Deus... será que Ele precisava de binóculo? olha, eu ganhei um e enxergo melhor as coisas pequenas... e a gente era coisa pequena? Porque, Deus? Porque Deus? Porque as meninas choram quando ficam magoadinhas? E porque a Jenninha?
"Porque?"

Sobre meu corpinho, naquela noita, ela nanou. Eu não. Às vezes soprava de levinho pra secar a aguinha-éca do meu corpo... Mas sempre desistia, vai que ela acorda! E também, no fim das contas, era bom que ter alguma coisa dela comigo. Pude ver as mais de 6 vezes que ela acordou... Foi mais de 6, mas não sei quantas porque só tenho 6 dedinhos e só aprendi a contar até 6! Cada vez ela acordava mais cansada... mais acordada... Mas acordar era dar de frente com aquela lenda chamada Realidade. Era encarar o mundo sobrevoado por bruxas verruguentas, por bichos papões azedões e tudo mais. E era ter mais desses coias-éca do que príncipes. Porque estamos no meio. E príncipes só têm no fim!
(Continuação)
Obs primeira: É muito triste. Os caras pedem um título pro que você vai escrever no dia, aí o sujeito se mata pensando nele... Pensa até vir um porra dum título. O sujeito escreve e os caras cortam. O título, então, do primeiro capítulo seria "Do meio..."
Segunda obs: Aproveitando a infeliz interrupção do Gustavo na história, também devo informar aos meus lindos navegantes que a história é, evidentemente, uma homenagem em primeira instância à Jenny, minha doce amiguinha. PORÉM a história, que se seguirá, pouco ou nada condiz com a "realidade"!!! Os namorados que, porventura, a Jenninha venha a ter não serão o Danilo, o Gursinho não sou eu (embora muito parecido), a própria Jenninha ganhará autonomia e não será a Jenny (até porque eu não conheço tão bem assim a vida dela pra biografá-la aqui). Portanto não farão sentido ciúmes ou quaisquer cobranças que apontem no sentido da história aparentar minha vida e meus sentimentos.
Os causos também são uma homenagem ao meu professorzinho Denoca! O mestre da genialidade recôndita! Estas linhas são pra dizer: Olha, eu aprendi alguma coisa com o que você escreveu! Veja o que aprendi! Me ensina o resto!

Beijões a todos! Ventura!

Monday, February 06, 2006

Porque nem sempre se começa pelo começo... Porque "como começar pelo começo se as coisas acontecem antes de acontecer?" (Claricinha)... Porque esses tantos tontos exaustivos porquês precisam conferir um tom musical flutuando no blog... Porque eu sou um ursinho músico! Porque canto uma musiquinha de ninar bem assim de linda! Ops, escapei pro começo, deixa o Gursinho voltar pro meio... É porque senão todo mundo vai entendiar... Quem é que vai esperar chegar no meio quando não se tem banda larga? E o Gursinho é l.e.n.t.i.n.h.o que só... Porque também não vim com pilha pra andar, só pra cantar! E não tá bom?
Porque escrevo por explodir que nem se fosse Power Ranger... Que nem se eu tivesse um monte de magia e abrisse a porta... Porque minha amiguinha mais-que-power-linda, a Jenninha, saiu aguinha dos olhinhos dela... E não era água doce, daquelas de banho, de rio, de cachoeira, era água salgadinha... gosto ruim... éca!!! E porque a Jenninha nem quis papar, tá fraquinha... e porque ela nem quis ouvir minha musiquinha de ninar hoje... e aí eu não consigo dizer pra ela ficar feliz lá lá laia, pra ela dormir com os anjinhos lá lá laia, que ela é a mais linda e que eu amo ela muitão lá lá laia... E aí tudinho fica triste... A gente olha pra janela, olha pra fora: tudo Jornal Nacional...
olha pra dentro: nada de legal,
Tv fora do ar... Videogame sem ler o cd pirata... Sei lá, tudo trsite trsiteza...